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Médicos alertam para a presença
do TDAH de ADULTOS
Reconhecido
mais facilmente em crianças e adolescentes,
o Transtorno de Déficit de Atenção e
Hiperatividade, distúrbio neuropsiquiátrico
conhecido pela sigla TDAH, vem sendo diagnosticado cada vez
mais em adultos.
Dificuldades
em manter a atenção e a concentração,
descuido em atividades, inquietude e falta de organização
são alguns dos sintomas clínicos mais comuns
do TDAH registrados em adultos, segundo o psiquiatra Antônio
Geraldo da Silva, presidente da Associação
Psiquiátrica de Brasília (APBr). Em entrevista
concedida ao Correio do Estado, MS, caderno B, 09/07/2007,
Antônio Geraldo afirma que entre 60% e 80% dos casos
de TDAH diagnosticados na infância prevalecem na fase
adulta e acrescenta que uma média de 11% das crianças
que sofrem de hiperatividade tem um dos pais diagnosticados
com TDAH. Conforme disse, estima-se que 4% dos adultos possam
sofrer do transtorno. Além dos sintomas citados, estudos
comprovam que os portadores do transtorno se envolvem em
mais acidentes de trânsito que os demais, explica o
Dr. Paulo Mattos, professor da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, em entrevista ao Correio do Estado, MS, 2007.
Quando os acidentes ocorrem com adultos diagnosticados com
a síndrome, eles tendem a ser mais graves, indicando
que o transtorno está relacionado à falta de
atenção de forma a colocar em risco a vida
das pessoas, portadoras ou não do TDAH, afirma Paulo
Mattos.
Segundo
a Associação Brasileira de Déficit
de Atenção (ABDA), a ocorrência do TDAH
não está atrelada a fatores culturais, ou como
resultado de conflitos psicológicos. De acordo com
eles, a explicação está em pequenas
alterações na região frontal do cérebro,
responsável pela inibição do comportamento
e do controle da concentração.
Segundo a Dra. Evelyn Vinocur, psiquiatra de adultos e da área
de saúde mental da infância e adolescência,
o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem
reduzir significativamente o impacto adverso causado pelos
sintomas do TDAH em todos os setores da vida da pessoa, seja
a nível social, afetivo, acadêmico ou laborativo.
Para tanto, diz a Dra. Evelyn, é essencial uma avaliação
do nível de funcionamento na infância, adolescência
e na vida adulta, história de vida detalhada, avaliação
da história parental e de adaptação
psicossocial e avaliação cognitiva, sempre
pensando nos possíveis diagnósticos diferenciais
e na presença de comorbidades, que no caso do TDAH, é a
regra.
Alguns sintomas são observados com maior freqüência
no TDAH em adultos, quando comparados a pessoas sem o transtorno:
- dificuldade nos relacionamentos, com relações
afetivas instáveis (separações, divórcios);
- instabilidade profissional que persiste ao longo da vida;
- rendimento abaixo de suas reais capacidades no trabalho
e na profissão;
- falta de capacidade para manter a atenção
por um período longo;
- falta de organização (carente de disciplina);
- insuficiente capacidade para cumprir o que se comprometem;
- incapacidade para cumprir uma rotina;
- esquecimentos, perdas e descuidos importantes;
- depressão e baixa auto-estima;
- dificuldades para pensar e se expressar com clareza;
- tendência a atuar impulsivamente e interromper os
outros;
- dificuldades de escutar e esperar sua vez de falar;
- freqüentes acidentes automobilísticos devido à distração;
- freqüente consumo de álcool e abuso de substância.
Outros sintomas, apesar de não constarem no manual
oficial dos transtornos mentais, DSM, são vistos com
freqüência, tais como:
- baixa auto-estima;
- sonolência diurna (dormir como uma pedra);
- "pavio curto" (mistura de impulsividade e irritabilidade);
- necessidade de ler mais de uma vez para "fixar" o
que leu;
- dificuldade de levantar de manhã, de se "ativar" no
início do dia;
- adiamento constante das coisas;
- mudança de interesse o tempo todo;
- intolerância a situações monótonas
e repetitivas;
- busca constante por coisas estimulantes ou diferentes e
variações freqüentes de humor.
Dificuldades específicas da função de
atenção: Adultos com TDAH apresentam uma tendência
pronunciada de distração, esquecimento, repetições
de erros, além de perderem coisas, não recordarem
o que acabaram de ler, de necessitarem perguntar muitas vezes
o mesmo e evitarem sistematicamente toda leitura que não
seja do seu interesse específico. Geralmente envolvem-se
em atividades de pouca atenção e concentração
por apresentarem tais dificuldades. Isso não significa
não prestar atenção nunca, mas em muitas
ocasiões, ou na maioria delas a pessoa está dispersa, "no
mundo da lua”.
No
trabalho, custam a se organizar, permanecer atentas e terminar
uma
tarefa. O tempo que necessitam geralmente é muito
maior do que se espera e rendem mais quando estão
sozinhos. Mostram dificuldades também com a memória
de trabalho, que permite os processos de comparação,
processamento e emissão de uma resposta correta. Adultos
com TDAH não são críticos quanto a suas
dificuldades de atenção e poucos se dão
conta do problema. Isto acontece porque sempre foram dispersos
e desatentos, erram repetidamente, perdem coisas, não
recordam o que acabam de ler, necessitam perguntar várias
vezes a mesma coisa e evitam leitura que não seja
de seu interesse específico. E são capazes
de dormir ou desligar diante de assuntos que não lhe
interessam diretamente, indicando que são pessoas
que padecem de um problema de atenção. Muitas
vezes mostram uma clara dificuldade para conseguir o mínimo
de concentração suficiente para manter qualquer
atividade.
Ser
detentor do diagnóstico de TDAH não significa
que não preste atenção nunca, e, sim,
que em muitas ocasiões, ou na maioria das vezes, o
paciente está disperso. Em outros momentos, pode permanecer
concentrado e ser constante numa tarefa. Mesmo que o problema
seja crônico não quer dizer que esteja sempre
presente. Isto remete ao que muitos autores colocam de que
portadores de TDAH mostram a atenção flutuante:
em determinados momentos são atentos e em outros não.
O
tratamento indicado pela ABDA é o multimodal, ou
seja, uma combinação de medicamentos, orientação
da família e acompanhamento profissional, pelo médico
e também através da psicoterapia. Para o Dr.
Paulo Mattos, a medicação é imprescindível
e tem comprovação científica de eficácia
no tratamento. "Pesquisas feitas com simuladores de
direção mostram que adultos que sofrem do transtorno
cometem mais erros que os normais. Também foi descoberto
que estes erros tendem a ser diminuídos com a administração
de remédios específicos", explica.
Além da medicação, o psiquiatra Antônio
Geraldo explica que alguns fatores podem ajudar no cotidiano
de pessoas que sofrem do transtorno, como o cumprimento de
uma atividade por vez, evitando assumir muitas responsabilidades
ao mesmo tempo, estabelecimento de prioridades e até realização
de atividades físicas ao longo do dia ou da semana,
que ajuda a manter o equilíbrio nas demais atividades
do dia, especialmente as obrigatórias e/ ou chatas.
No
sexo feminino, os sintomas do TDAH aparecem de forma marcante
através da desatenção, e não
da hiperatividade e impulsividade, mais evidentes no sexo
masculino. Além disso, elas são freqüentemente
menos rebeldes e menos opositivas. Como a comorbidade com
os transtornos de ansiedade e depressão são
os sintomas mais freqüentes, as mulheres costumam ter
uma instabilidade emocional importante, com possibilidades
de freqüentes mudanças de humor.
Copyright © 2005-2009
Todos os direitos reservados a Dra. Evelyn Vinocur
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