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AGRESSIVIDADE
A
Agressividade, com base nos estudos de Winnicott, representa
um instinto
próprio a todo ser humano, necessário
para a sua existência.
A
agressividade é sinônimo da motilidade, algo
vital que o bebê adquire nos seus primeiros meses de
vida, em seu contato com o ambiente. O comportamento agressivo
faz parte da vida humana, devendo ser encarado como normal.
Winnicott ilustra sua definição através
do comportamento da criança. A princípio ela
esgota os seus pais, mesmo sem saber, depois os esgota sabendo
e, por fim, esgota-os furiosamente, com cansaço.
A
agressividade designa uma tendência especificamente
humana marcada pelo caráter ou vontade de cometer
um ato violento sobre outrem. Pode também ser definida
como uma tendência ou conjunto de tendências
que se atualizam em condutas reais ou fantasmáticas,
as quais visam causar dano a outrem, destruí-lo, coagi-lo,
humilhá-lo, etc. (Laplanche e Pontalis, 1973).
De
acordo com Wierviorka (1997), os problemas da violência
estão ligados a representações sociais
que os codificam positiva ou negativamente. Associado ao
conceito de violência voluntária surgem os conceitos
de abuso, agressão e agressividade.
Atualmente,
ainda existem dúvidas acerca do impacto
da violência veiculada através da televisão
e do cinema na sociedade ocidental. Alguns especialistas
julgam que esse tipo de exposição poderá aumentar
a propensão da audiência a desenvolver algum
tipo de agressividade subsequente na vida real. As constantes
manifestações de agressividade com a qual a
criança convive (família, televisão
e social) contribuem de forma acentuada para a reprodução
desses comportamentos aprendidos.
Retirado
de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Agressividade"
É
Agressivo ou Está Agressivo???
- Eis a Questão! -
Todos
os seres humanos (e inclusive os animais) trazem consigo
um impulso agressivo. A agressividade é um comportamento
emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas.
Portanto, é algo natural.
No
entanto, a maneira de reagir frente à agressividade
varia de sociedade/Cultura, pois cada uma tem as suas leis
(umas inclusive agressivas), valores, crenças, etc..
Alguns comportamentos agressivos são tolerados, outros
são proibidos.
Nas
sociedades ocidentais, bastante competitivas, a agressividade
costuma
ser aceita e estimulada quando esta vale como sinônimo
de iniciativa, ambição, decisão ou coragem.
Mas é impedida, reprimida ou punida quando identificada
como atitudes de hostilidade, de sentimentos de cólera.
Confuso,
não?!
"MEU FILHO É AGRESSIVO...!" Para cada um
de nós esta frase tem uma conotação,
um significado diferente pois determinado tipo de comportamento
pode ser considerado agressivo para uns e não para
outros.
Mas
afinal, O QUE É SER AGRESSIVO???
Seria
qualquer ação que pretende danificar
algo ou alguém. Geralmente, estes atos agressivos
não são a verdadeira expressão de raiva,
mas sim desvios de outros sentimentos (como mágoa,
insegurança, etc.) que devido ao fato da criança
não saber como lidar com eles, expressa-os através
de atos agressivos.
Agressividade
NÃO é traço de personalidade.
Portanto, NÃO existem crianças que SÃO
agressivas - se digo que "Joãozinho é agressivo",
esta agressividade se torna parte dele, da sua identidade/personalidade
e isto é falso. O correto é dizer que "Joãozinho
cometeu um ato agressivo". Portanto o CORRETO seria
dizer que a criança ESTÁ agressiva.
Existem dois tipos de agressividade:
a)
INSTRUMENTAL: dirigida apenas para alcançar uma
recompensa, não visa acarretar sofrimento ao outro.
b) HOSTIL: tem como objetivo atacar/ferir o outro.
Podemos
encontrar agressividade: VERBAL: ataca por meio de palavras,
e FÍSICA: envolve o ataque físico
(corpo).
Dentre
os fatores que influenciam a agressividade, encontramos
o meio ambiente no qual a criança está inserida.
Geralmente acredita-se que a agressividade provém
apenas de força interna, que é algo inerente
ao indivíduo. Ao contrário, é o ambiente
que perturba a criança. O que falta internamente à criança é a
capacidade e a habilidade para lidar com esse ambiente que
a deixa com raiva, com medo, insegura...
Logicamente,
todos nós sofremos pressões do
ambiente em que vivemos e nem todos respondemos à esse
ambiente com comportamentos agressivos. O que acontece é que
para alguns existe um déficit frente à capacidade
de tolerar frustrações, para tolerar a falta
e suportar coisas que não podemos ter na vida, que
não sabemos ou que não entendemos.
Sabemos
então que a agressividade não é algo
inato, algo com que a criança já nasça
e nem um traço de personalidade. Ela é influenciada
pelo meio. Ela é influenciada pelo meio. Porém
antes da criança receber a influência deste
meio macro-social, em uma primeira etapa a criança é influenciada
pelo meio micro-social, ou seja, pela sua família.
Somente depois é que era assimilar os valores da sociedade
e dos meios de comunicação.
Assim,
atos agressivos podem ser APRENDIDOS por meio da observação de modelos agressivos também
pode ter efeito de aumentar o comportamento agressivo do
observador. Portanto, é de se esperar que, em geral,
crianças recompensadas por agressão e as que
vêem muita agressão nas pessoas que a cercam
tornar-se-ão mais agressivas do que aquelas crianças
que tem modelos menos agressivos e que foram menos recompensadas
por comportamentos agressivos.
Conclusão: NÃO há tendência inata
ou subjacente para a agressividade. Tudo isso é comportamento
aprendido
Cristina Felipe Corsini
psicóloga
infantil PUCCAMP.
Agressividade na infância: até que ponto é normal?
Fragilidade
e insegurança. Esses são os dois
principais motivos que ocasionam comportamentos agressivos
por parte das crianças, podendo resultar em ferimentos
nela própria e em outras pessoas. Situações
como o nascimento de um novo bebê na família,
separação dos pais ou então a perda
de algum parente próximo contribui para a mudança
repentina na maneira de agir do filho.
"As crianças são totalmente emocionais
e pouco racionais. Por não saberem lidar com alguns
sentimentos, podem expressá-las por meio de atos agressivos",
explica a especialista em psicologia clínica para
crianças e adolescentes, Keila Gonçalves.
Sabe-se,
no entanto, que a agressividade não é um
traço de personalidade. Se seu filho está agressivo,
certamente ele está sendo influenciado pelo cotidiano
familiar e, em menor escala, por fatores externos, como a
televisão, amizades, entre outros.
Segundo
Keila Gonçalves, os pais devem ficar preocupados
quando as atitudes perturbadoras se tornam prolongadas. "Algumas
vezes, as crianças apresentam uma agressividade não
apenas transitória, mas permanente, ou seja, parecem
estar sempre provocando situações de briga.
Este é o momento de entrar em ação".
Observar
muito bem cada atitude e manter o diálogo
são os primeiros passos para descobrir a causa o problema.
Muitas vezes, o pequeno da família pode estar vivendo
situações de conflito, seja em casa ou na escola,
que o faça desempenhar algum tipo de papel, agredindo
e deixando-se agredir, como conseqüência desta
dinâmica em que pode estar inserido.
O
comportamento hostil geralmente se origina por inúmeras
razões: dificuldade de relacionamento com outras crianças;
algum tipo de abuso ou humilhação por parte
dos adultos; pais que evitam dizer “não” quando
necessário (podendo transformar em uma criança
possessiva) ou excesso de cobrança.
Nesses
casos, a criança precisa de ajuda, mais do
que de punição. Torna-se urgente assisti-la,
por meio de muita observação e diálogo,
para que se possa interromper esse ciclo de violência. É recomendada
a ajuda de um especialista, que orientará os pais
sobre a maneira correta de proceder.
Outra
medida importante é a relação
de cumplicidade entre a família e a escola. Saber
sobre o comportamento do seu filho fora de casa e informar
a educadora sobre os problemas percebidos podem ser fundamentais. "Muitas
vezes, há uma melhora sensível quando a criança
percebe que seus pais enxergaram o problema", revela
a psicóloga. Como se percebe, o afeto é o caminho
mais tranqüilo e menos doloroso para arrancar a tensão
de dentro do seu querido. Basta saber usá-lo.
Bruno Thadeu
psicólogo
AGRESSIVIDADE ... OU FALTA DE LIMITES?
Onde
começa uma e onde termina a outra ?
Quem sabe ?
É
difícil de se precisar...
Mas
podemos buscar um significado para este comportamento (obviamente,
após descartado algum problema médico),
se o entendermos, não como uma doença, mas
sim como uma reação de saúde a um ambiente
em desequilíbrio, quer seja este conflituoso, ou carente
de limites.
Parece
complicado, não? Mas, calma aí, já vamos
explicar:
Primeiro,
imagine uma criança que viva num ambiente
conflituoso, em que os pais não se entendem... ou
estão sempre tão ocupados, que a família
não consegue se reunir... ou se já se separaram,
mas continuam brigando... ou ainda, numa casa que até parece
a "casa da mãe Joana", e os pais não
conseguem exercer seu papel de donos da casa, todos se intrometem,
dando palpites, e a criança fica sem saber o que é certo,
o que é errado, ou a quem obedecer ...
Difícil imaginar ? Viver, então,
hein !
Agora,
volte no tempo e imagine o nascimento dessa mesma criança na sua família. Você há de
concordar que, independente do clima ou das condições
para sua chegada, os olhares voltam-se todos para ela, certo?
À medida que ela vai crescendo, todas as vezes que
ela chora: atenção para ela! Todas as vezes
que ela cai ou se machuca: atenção para ela!
E as gracinhas? Ah, encanta a todos, não é verdade?
Não podemos negar. Esta "escola" dá, à criança,
um aprendizado e tanto... Ela se torna "mestre em ser
o centro das atenções" ! E esta bagagem
vai se transformando, gradualmente, num recurso disponível
para ela utilizar nas novas situações de vida
que forem surgindo.
Na
verdade, apesar de um vocabulário restrito e ainda
em expansão, a criança tem uma sensibilidade
aguçada e uma grande capacidade de percepção
do que está se passando ao seu redor. Preocupa-se
e, acredite , tenta buscar soluções: à sua
maneira, de acordo com seu nível de maturidade e da
bagagem que traz das experiências relacionais adquiridas
anteriormente.
Enfim,
o que nós acreditamos e que afirmamos agora
para vocês, é que a reação de
agressão e da falta de limites, nos diferentes graus
em que se apresenta, torna-se um pedido de socorro da criança
aos seus pais. Por que, ao chamar atenção para
o seu comportamento, ela faz com que, pelo menos naquele
momento, os outros problemas que estão acontecendo
sejam esquecidos, ou deixados de lado. Não é assim
que acontece na maioria das vezes?
Portanto,
você pai e você mãe, vamos
lá, fujam dos rótulos. Tirem os óculos
que os fazem enxergar sua criança com preocupação
ou mesmo irritação, e apropriem-se de um novo
olhar: um olhar de "com-paixão". Procurem
decifrar o que ela está tentando dizer, indiretamente,
com seu comportamento agressivo ou sem limites. Nenhuma criança
faz nada à toa, há sempre um "para que" por
trás das situações nas quais ela chama
as atenções para si. Conversem! Reflitam sobre
estas e outras questões pertinentes ao ambiente em
que sua família está vivendo. Às vezes,
até a situação da chegada de um irmãozinho
, faz com que ela apenas esteja pedindo para ser vista, cuidada
e incluída. E, se estiver difícil para vocês,
procurem a ajuda de um profissional da área; nada
melhor do que ser ajudado para sair de uma situação
de sofrimento. O sofrimento é desnecessário,
e não precisamos ficar agarrados a ele, ou sermos
arrastados por ele.
Ana Silvia Teixeira e Vera Risi
Terapeutas de Família
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