TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Sábado, 11 de Abril de 2009
  TDAH - Neurobiologia da Hiperatividade e Atenção
TDAH - Neurobiologia da Hiperatividade e Atenção
De 4 décadas para cá, as hipóteses causais do TDAH foram desde causas singulares como fatores dietéticos e exposição ao chumbo até o que se pensa hoje do TDAH como um transtorno complexo, multifatorial e causado pela confluência de inúmeros fatores de risco como o genético, ambiental, psicossocial e biológico. Estudos de neuroimagem tem mostrado alterações patológicas tanto de cunho estrutural como funcional em circuitos fronto-subcorticais-cerebelares.
Muitas das discussões sobre o diagnóstico do TDAH se originam da dificuldade de se replicarem os resultados dos inúmeros estudos sobre as diferenças no funcionamento do cérebro entre os portadores de TDAH e os não-portadores.
Uma área recente de pesquisa tem focado alteração na transmissão dopaminérgica nos gânglios da base.
Este foco na transmissão dopaminérgica alterada baseia-se nos efeitos clínicos do metilfenidato e anfetamina, ambos psicoestimulantes e que aumentam a concentração endógena de dopamina na fenda sináptica pela inibição do transportador de dopamina (DAT). Suporte para esta hipótese é dada por estudos de MRI – ressonância magnética estrutural mostrando o volume cerebral em crianças com TDAH, incluindo o nucleo caudado e cortex pré-frontal direita, regiões receptoras dopaminérgicas da substância nigra e tegmento ventral no cérebro medial.
Hiperatividade motora é sintoma proemintente do TDAH. Estudos clínicos relatam de longa data a relação entre transmissão dopaminérgica e hiperatividade.
O psiquiatra Dr Martin Teicher, PhD da Universidade de Harvard, e sua equipe, mediram a atividade motora durante testes cognitivos em meninos com TDAH. Eles observaram que o grau de atividade motora poderia estar relacionada ao fluxo sanguíneo nos gânglios da base e cerebelo.
Dr Teicher e sua equipe desenvolveram um novo método de ressonância magnética, a T2 relaxometria, para acessar indiretamente o volume sanguíneo do estriado (caudado e putamen) de meninos de 6 a 12 anos em condições basais. As crianças completaram o teste computadorizado de vigilância enquanto um sistema com raio infravermelho capturava e salvava todos os movimentos dos meninos. Os achados serviram para se determinar se havia associação entre as medidas da relaxometria e a capacidade de inibição da atividade motora durante a realização de testes monótonos mas obrigatórios.
Meninos com TDAH tiveram medidas mais altas pela relaxometria no putamen bilateralmente do que o grupo controle. Observou-se estreita correlação com a capacidade da criança ficar parada sentada e seu rendimento ao cumprir um teste computadorizado de atenção.
Tratamento diário com metilfenidato mudou significativamente os resultados da relaxometria no putamen em crianças com TDAH. As alterações se mostratam relacionadas ao fato do metilfenidato estar ou não sendo usado.
O TDAH pode estar intimamente ligado a anormalidades funcionais no putamen, totalmente envolvido na regulação da atividade motora.
Dr Teicher examinou varias áreas cerebrais enquanto os sujeitos realizavam uma atividade básica visuo-motora de resposta. Foi observado o comportamento motor durante o teste. Além do putamen, foi estudado o caudado e o tálamo. O putamen mostrou intima relação com o comportamento motor, ao contrário do caudado e do tálamo. O metilfenidato produziu efeitos consideráveis sobre atividades de atenção e concentração. Ele também aumentou o tempo gasto imóvel em 126%.

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Comentários:
Navegando pela internet para saber mais informacoes sobre ritalina, um assunto leva a outro e acabei encontrando o seu blog. A Senhora trata o assunto TDAH de forma clara e precisa...muito bom ler sobre o assunto quando alguem tao competente escreve. Masss nem sempre e assim, vou relatar aqui o que aconteceu comigo por causa de professoras despreparadas, incompetentes e ignorantes. Meu filho sempre foi mais agitado do que as outras criancas na escola. Nao gostava de ficar sentado e falava demais...embora nao fosse um menino ligado em 220 em casa e tivesse facilidade para aprender o fato de falar muito incomodava as pessoas. Quando ele foi para a primeira serie eu consegui uma bolsa de estudo no Colegio Metodista de Sao Bernardo do Campo. A professora da primeira serie sempre muito atenciosa falava da agitacao dele e me orientou a procurar uma psicologa (levei por um tempo mas ele continuava agitado e eu ainda nao cogitava dar remedio e nem conhecia o assunto sobre hiperatividade a fundo). Quando ele foi para a segunda serie continuou agitado e um dia uma coordenadora me chamou e disse que queria coloca-lo em uma classe para criancas especiais. No comeco fui contra mas elas conseguiram, com frases prontas e muita conversa mole convencer o pai do meu filho e eu embarquei nesta, embora contra a minha vontade (me arrependo profundamente por ter permitido isso). Elas falavam que ali o problema dele seria trabalhado e depois ele retornaria para a classe (isso ja era meio do ano). Todo dia eu mandava o mesmo material escolar e ele voltada intocado e descobri depois que elas nao usavam o material, davam apenas folhinhas com continhas da pre-escola para ele fazer (meu filho estava largado dentro de uma classe com criancas com serios problemas mentais).Comprei livros para a segunda serie de portugues, matematica etc e comecei a ensina-lo em casa. Quando terminou o ano e ele foi para a terceira serie eu estava certa que voltaria para a classe normal e qual nao foi minha surpresa quando elas falaram que nao tirariam ele daquela classe...exigi entao que ao menos elaborassem um material de terceira serie com livros etc para ele estudar e assim foi feito. Cada vez que ia a reunioes e olhava pela janela a cara das criancas que estudavam com ele meu coracao ficava apertado. Eram criancas com paralisia cerebral, problemas serios, serias dificuldades de aprendizagem, as feicoes das criancas mostravam isso e eu nao me conformava que ele estivesse ali porque nao tinha nenhum problema de aprendizagem...era um crianca normal. Inclusive as professoras falavam que ele tinha a capacidade de conversar e quando perguntado o que a professora estava falando ele repetia tudo, ou seja, conversava mas aprendia. Um dia, ja quase no final da terceira serie ele me falou: mae, eu tento ficar quieto mas nao consigo, eu tento prestar atencao na aula mas e dificil e eu tenho um amigo que a mae levou no medico e ele esta tomando um remedio e esta melhor, eu tambem quero tomar, e me deu o nome do remedio que ele havia escrito no caderno (imagine uma crianca de 9 anos falando isso).Ah, esqueci de falar que ele nao era o unico aluno "normal" da classe, tinha mais 2 que eram apenas agitados como ele. Bom, nessa altura do campeonato eu havia descoberto que alguns professores da escola eram totalmente contra isso mas nao falavam porque precisavam manter seus empregos. Eu tinha uma filha que fazia o colegial nesta mesma escola e um dia ela me alertou: - Mae, tira ele desse grupo porque eles so devolvem para a classe normal quando a crianca chega no colegial. Ela disse que na classe dela tinha um que tinha vindo do "GRUPO" e que era super estranho (sim, eles vao ficando estranhos) e que havia discrimanacao. Ela disse tambem que os professores dela falavam: O que estao fazendo com o seu irmao e um absurdo. Ja no final do ano conversei outra vez com a coordenadora (uma japonesa louca) e ela disse: Nao existe lugar para seu filho na classe normal e ele vai continuar no Grupo, alias nem sei se vamos aguentar ele no Grupo. Estava decidida a mudar isso e fui a uma neurologista que fez todos os exames no meu filho e disse: A primeira coisa que voce vai fazer e tirar este menino desta escola porque isso e um absurdo...ele e inteligentissimo, esperto e normal e receitou ritalina de apenas 10mg. Conversei com o pai dele e decidimos coloca-lo no Colegio Sao Jose (escola catolica e tradicional em Sao Bernardo do Campo). Deus colocou entao na vida dele a melhor educadora infantil que ja conheci, o seu nome era Luzia. Luzia falava: Tenho pelo menos 12 meninos na classe agitados como ele e nem por isso penso que isso seja um bicho de 7 cabecas. A media desta escola era 7 e meu filho sempre ficou acima da media com notas que iam de 8,5 a 9,5. Ele entao ficou neste colegio da quarta a oitava serie e nunca teve problemas de aprendizagem. Eu estava tao traumatizada que quando tinha reuniao dos pais e os professores nao pediam para eu ficar eu ficava mesmo assim para saber como ele estava se comportando e ouvi os seguintes comentarios ao longo dos anos: - Seu filho e muito participativo, seu filho e maravilhoso, eu adoro o Henrique, ele fala um pouquinho alem da conta mas nao e o unico. Foram anos tranquilos e eu estava feliz com isso mas o fato de ter permitido que ele ficasse 1 ano e meio naquela outra escola me corroia a alma e um dia entrei no site da escola e fiz uma desabafo para que isso nao se repetisse com outros alunos. Veja bem, meu filho terminou a oitava serie, fala ingles fluente, esta agora morando e estudando na Holanda e aprendeu holandes em 8 meses (fato que deixou muitos holandeses impressionados)....sera entao que elas estavam certas em coloca-lo em uma classe para deficientes mentais??? Sei que deveria na epoca ter processado a escola ou denunciado ao MEC...masss a minha maior preocupacao na epoca era tirar o meu filho daquele lugar e viver em paz...masss que eles mereciam um processo, ahh isso mereciam.

um abraco forte e que Deus continue te iluminando para que continue cumprindo sua missao de informar e ajudar com tanto talento.

PS: Meu teclado nao tem acentos e cedilhas, entao nao repare no meu portugues sem acentuacao.

Juliette
 
Julliette,
coisas absurdas acontecem com inúmeras outras crianças, coisas que nós não conseguimos acreditar... aqui no Rio, nós vamos às escolas, fazemos palestras, orientamos os professores e educadores. Parabéns pra vocês que conseguiram perceber a atitude bizarra da escola e tomaram as providencias necessárias para ele. Obrigada por postar, continue postando! Seu comentario certamente beneficiou milhoes de outros pais que vao ler o que vc diz aqui!!
bjs
evelyn vinocur
 
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O que até há pouco tempo se achava que era preguiça e falta de força de vontade, hoje sabemos tratar-se de um transtorno neurobiológico comum, afetando a vida de crianças, jovens e adultos de ambos os sexos.

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Nome: Evelyn Vinocur
Local: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil

Eu sou médica e tenho interesse em transmitir tudo o que há de mais recente e atual sobre os transtornos emocionais, tema que eu acho de total relevância para o conhecimento de toda a população, pois muitas vezes impede que a vida da pessoa transcorra com o sucesso esperado. Tenho me dedicado ao estudo das depressões, do transtorno Bipolar, do TDAH e dos distúrbios neuropsiquiátricos em geral. Sou membro associdado da ABDA - Associação Brasileira de Déficit de Atenção.

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