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Acesso
de raiva. É possível
evitar?
O
executivo procura uma pasta contendo documentos importantes,
mas
não a encontra. Consulta uma funcionária
e ela explica que a secretária, recém-demitida,
guardara em algum lugar, mas que ninguém sabe. Os
documentos são importantes, porque significam a memória
viva da firma, são, por isso mesmo, importantíssimos.Sem
perceber a importância, a funcionária insiste
em minimizar a situação, então o empresário
acaba explodindo, sem conseguir conter a indignação,
transformada, imediatamente em raiva.Afinal, quem nunca se
sentiu no limite, a ponto de explodir por qualquer motivo?
Nessa hora, o coração dispara.Mas o ideal,
como em quase tudo na vida, é o equilíbrio.
Segurando as rédeas de nossas emoções,
nos tornamos mais intuitivos, sagazes. Passando a usar a
sensibilidade a serviço do sucesso, fazendo dela uma
arma poderosa. Em contrapartida, o excesso de tensão,
típico dos temperamentos instáveis, bloqueia
a capacidade de compreender, e dificulta a resolução
dos problemas mais banais.Existe o contraponto ao temperamento
do empresário que explode porque uma pasta com documentos
importantes simplesmente sumiu. É o da funcionária,
que não se contém e chora, enxugando as lágrimas
com um único lenço encontrado no fundo da bolsa.
Encosta a cabeça nas costas da poltrona da frente
para não afogar as lágrimas nos ombros do colega
ao lado. Tudo isso além da reprovação
dos outros colegas, irritados com os suspiros e soluços.Tudo
bem. Você seria insensível se não derramasse
uma lágrima sequer assistindo ao filme. Mas chorar
diante de um quadro, ao ouvir determinada música,
com um anúncio de TV ou ao cruzar com aquele mendigo
que corta seu caminho todas as manhãs, fazendo-a sentir-se
culpada pelo resto do dia, mesmo que jamais dê uma
esmola. Isso pode ser excessivo.“Coisa que antes eram
consideradas de fontes de alegria, como casa, marido, filhos,
amigos e trabalho, passam a ter um peso insuperável,
lamenta a empresária Júnia, 36 anos, casada
e que sofre de instabilidade afetiva (designação
equivalente para a hipersensibilidade) há três
anos. Ela conta que não consegue assistir a uma cena “mais
forte” na televisão - e não está se
referindo à guerra no Iraque - sem desabar. Uma situação “normal”para
a maioria das pessoas pode representar um rio de lágrimas
para Júlia: “Pareço uma criança,
me sinto ridícula”.Para a psiquiatra e psicanalista
Evelyn Vinocur, em linguagem científica, o mal de
Júlia tem uma causa: labilidade afetiva. Ou seja,
instabilidade afetiva, que se caracteriza por rápidas
mudanças emocionais em questão de minutos,
ou até segundos. Doença/ frescura? A fronteira
entre os dois lados é sutil. Cada caso é singular.
Mas sempre que houver prejuízo na qualidade de vida é preciso
agir rápido.Uma das alternativas para se sentir melhor é surfar
sobre as emoções como se surfa sobre as ondas.
Relaxe, conte até 10, tente tomar consciência
da confusão (angústia ou alegria) que a domina,
e questione a gravidade da situação. Respire
calmo e profundamente. Diga para si mesmo que você e
quem detém as rédeas das próprias emoções,
e não o contrário.Aquele que deveria ser o
melhor aniversário de Larissa foi o mais lamentável.
Na festa de seus 30 anos, ela causou um grande mal-estar.
Mirian, sua melhor amiga, convidou, sem avisar, 20 antigos
colegas de colégio, para que cantassem “Feliz
Aniversário”. Os pobres coitados se transformaram
em uma turma a ser evitada dali para a frente. Ficaram constrangidos
com sua fuga intempestiva para o quarto. A surpresa desmoronou-a.Neste
tipo de situação, as pessoas muito sensíveis
são tomadas por uma “diarréia emocional”.
A barragem que retinha as emoções é rompida
e todo cuidado é pouco para evitar uma inundação.Marianna,
de 18 anos, nunca suportou o novo. Era tomada por um sentimento
de apreensão, taquicardia e enrubescimento sempre
que era abordada por um rapaz nas festas. Isso também
acontecia quando era submetida a uma avaliação,
qualquer que fosse. “Tinha uma sensação
de congelamento. Parecia que as pernas estavam congeladas,
bem como a mente. Ficava boba, sem reação”,
conta.Ela não conseguiu concluir o exame do vestibular.
Passou mal antes de responder a todas as questões
e acabou reprovada. A psiquiatra Evelyn Vinocur acredita
que Marianna sofre de ansiedade social. Um transtorno que
gera a sensação difusa e desagradável
de apreensão que precede qualquer compromisso social
novo ou desconhecido. “A pessoa tem a consciência
dos sintomas físicos e percepção de
estar nervosa diante de uma situação social.
Tal sentimento é paralisante e fonte de intenso sofrimento”.Casada,
feliz, dois filhos, toda vez que passa o domingo na casa
dos pais, Andréa reage a qualquer observação
deles aos gritos. A mãe arrisca uma opinião
sobre a aparência das crianças, do tipo “elas
não estão um pouco magras?” A resposta é uma
torrente de desaforos. Ou seja diante de qualquer comentário
irritante, seu grau de tolerância é zero, o
que faz uma adolescente de 14 anos parecer mais adulta e
equilibrada do que ela. É normal ficar irritada com
os pais. A relação com eles parece um jogo
de guerra: comenta algo, eles replicam, contra-atacam As
emoções ficam ainda mais fortes se estiverem
condicionadas a lembranças passadas. Em resumo, aos
cinco ou 35 anos, as pessoas continuam a sonhar com os pais
ideais e ficam irritadas quando não correspondem às
suas expectativas. Mas é preciso crescer, perdoar...Mas
o primeiro passo para resolver o problema é afastar
a idealização. Não esperar nada. Em
vez de chegar a casa deles com a esperança que tenham
mudado, afirmar a si mesma que tudo vai começar, ainda
e sempre. Não adianta tentar. Tente, sim, ter uma
visão estratégica, que consiste em antecipar
reações. Isto é fácil porque
são sempre as mesmas. Use uma tática diferente;
se eles dizem alguma coisa, faça um comentário
gentil, capaz de desarmá-lo. Desarme-se também.Não
confunda as situações descritas com as que
ocorrem somente em períodos de ansiedade, depressão,
inquietude, falta de sono e disfunção sexual,
que fazem parte da vida de todo mundo. Quem, por exemplo,
não passou por uma enorme dor-de-cotovelo ou teve
vontade de sumir do mapa depois de uma discussão séria?Fatores
como insatisfação no trabalho, brigas familiares,
separação, dificuldades financeiras, alterações
hormonais interferem no bem-estar.
Vários são os fatores em que a pessoa busca
seus próprios recursos internos para manter o equilíbrio.
Se você é uma delas, ótimo. Esse é o
caminho. Mas se não consegue melhorar sozinho, não
hesite em procurar um especialista. O diagnóstico
preciso já representa um ganho de 50%, no tratamento,
que pode ser através de psicoterapia, acupuntura,
florais - para quem prefere alternativos.Só não
pode é sofrer à toa. Ninguém merece,
afinal.
Copyright © 2005-2009
Todos os direitos reservados a Dra. Evelyn Vinocur
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